Atualizado em 25 de setembro de 2026.
Concordância verbal é a relação entre o verbo e o sujeito: o verbo concorda em número (singular ou plural) e pessoa (eu, tu, ele, nós, vós, eles) com o núcleo do sujeito. "O candidato estudou"; "Os candidatos estudaram". A regra geral é simples, mas as provas exploram os casos em que ela parece não funcionar: sujeito depois do verbo, verbos impessoais, pronome "se", porcentagens e expressões como "a maioria de".
Este guia reúne a regra geral, os casos especiais que mais caem e um resumo de concordância nominal. Para os temas de Português que costumam aparecer nas mesmas questões, veja também os guias de regência verbal e de uso da vírgula.
A regra geral e o primeiro passo
Antes de decidir a concordância, encontre o sujeito. A pergunta clássica é "quem ou o que pratica a ação?". Em frases longas, o núcleo do sujeito pode estar longe do verbo, separado por outros termos: "A lista com os nomes dos aprovados nos três concursos foi publicada". O verbo concorda com "lista", e não com "nomes", "aprovados" ou "concursos". Esse é o tipo de armadilha mais comum em prova: um termo no plural perto do verbo desviando a atenção do núcleo no singular.
Sujeito depois do verbo
Quando o sujeito vem depois do verbo, a concordância continua a mesma, mas é mais fácil errar: "Faltam dois dias para a prova"; "Chegaram os resultados"; "Restam apenas três vagas". Um teste útil é colocar o sujeito na ordem direta: "Dois dias faltam para a prova".
Sujeito composto
- Antes do verbo: o verbo vai para o plural. "O edital e o cronograma foram publicados."
- Depois do verbo: o verbo pode ir para o plural ou concordar com o núcleo mais próximo. "Foram publicados o edital e o cronograma" ou "Foi publicado o edital e o cronograma".
- Núcleos ligados por "ou": se houver exclusão, o verbo fica no singular ("Pedro ou Paulo será o coordenador"); se não houver, vai para o plural ("O cansaço ou a ansiedade prejudicam o desempenho").
- Pessoas diferentes: a primeira pessoa prevalece sobre as outras. "Eu e você faremos a prova."
Verbos impessoais: haver e fazer
Alguns verbos não têm sujeito e, por isso, ficam sempre na terceira pessoa do singular:
- Haver no sentido de existir ou acontecer: "Houve muitos recursos"; "Havia dúvidas sobre o edital". Nunca "houveram" ou "haviam" nesse sentido.
- Haver e fazer indicando tempo decorrido: "Faz dois anos que estudo"; "Há meses não sai edital".
- Locuções com esses verbos: a impessoalidade passa para o verbo auxiliar. "Deve haver vagas"; "Vai fazer três meses".
- Verbos de fenômenos da natureza: "Choveu muito."
O pronome "se"
A função do "se" decide a concordância:
- Partícula apassivadora: com verbo transitivo direto, o termo que acompanha o verbo é sujeito, e o verbo concorda com ele. "Vendem-se casas"; "Publicaram-se os editais". Teste: transforme em voz passiva analítica, "casas são vendidas".
- Índice de indeterminação do sujeito: com verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, o verbo fica no singular. "Precisa-se de funcionários"; "Trata-se de questões difíceis".
Expressões partitivas e porcentagens
- "A maioria de", "grande parte de", "metade de" + plural: o verbo pode ficar no singular, concordando com o núcleo, ou ir para o plural, concordando com o termo seguinte. "A maioria dos candidatos faltou" ou "faltaram".
- Porcentagens: o verbo pode concordar com o numeral ou com o termo que o acompanha. "30% dos inscritos faltaram"; "1% da turma faltou". Quando o número vem antecedido de artigo ou pronome, a concordância é com o numeral: "Os 30% restantes foram aprovados".
- "Um dos que": o verbo vai preferencialmente para o plural. "Ele é um dos que mais estudaram."
O verbo ser
O verbo ser tem regras próprias e pode concordar com o predicativo:
- Horas, datas e distâncias: "São três horas"; "É uma hora"; "Hoje são 25 de setembro" ou "Hoje é dia 25".
- Sujeito que indica coisa e predicativo no plural: "Tudo são flores" ou "Tudo é flores" são aceitos.
- Quando um dos termos é pessoa: o verbo concorda com a pessoa. "O orgulho da família eram os filhos."
Com "que" e "quem"
Com o pronome relativo "que", o verbo concorda com o antecedente: "Fui eu que fiz a inscrição". Com "quem", o verbo fica na terceira pessoa do singular ou concorda com o antecedente: "Fui eu quem fez" ou "quem fiz". A primeira forma é a mais tradicional.
Concordância nominal em poucas linhas
- Bastante: varia quando é adjetivo ("bastantes vagas") e não varia quando é advérbio ("estudaram bastante").
- Meio: varia como numeral ("meia hora") e não varia como advérbio ("ela ficou meio cansada").
- Anexo, obrigado, mesmo, próprio, incluso: concordam com o termo a que se referem. "Seguem anexas as planilhas"; "Ela disse: obrigada".
- Menos: é invariável. "Havia menos pessoas", nunca "menas".
- É proibido, é necessário, é bom: ficam invariáveis quando o sujeito não tem determinante ("É proibido entrada") e concordam quando tem ("É proibida a entrada").
Exercícios com respostas
Indique a forma correta:
- (Houve / Houveram) muitas reclamações sobre a prova.
- (Existia / Existiam) dúvidas sobre o edital.
- (Aluga-se / Alugam-se) salas comerciais.
- (Precisa-se / Precisam-se) de estagiários.
- (Faz / Fazem) três anos que estudo para concursos.
- A lista dos aprovados (saiu / saíram) ontem.
- (Deve haver / Devem haver) novas vagas.
- (Falta / Faltam) apenas duas semanas.
Respostas: 1. Houve (haver no sentido de existir é impessoal); 2. Existiam (existir é pessoal); 3. Alugam-se (voz passiva: salas são alugadas); 4. Precisa-se (índice de indeterminação com verbo transitivo indireto); 5. Faz (tempo decorrido); 6. saiu (núcleo do sujeito é "lista"); 7. Deve haver (a impessoalidade passa ao auxiliar); 8. Faltam (sujeito posposto no plural: "duas semanas").
Substantivos coletivos e nomes próprios no plural
Com substantivo coletivo no singular, o verbo fica no singular: "A turma chegou cedo"; "O público aplaudiu". Se o coletivo vier seguido de especificador no plural, admite-se também o plural, como nas expressões partitivas. Com nomes próprios que só existem no plural, o verbo concorda com o artigo: "Os Estados Unidos são um país grande", mas "Estados Unidos é" quando não há artigo, em uso menos comum. Títulos de obras no plural costumam levar o verbo ao plural quando precedidos de artigo: "Os Sertões marcaram a literatura brasileira".
Casos em que o verbo pode concordar de duas formas
Parte da dificuldade da concordância vem dos casos em que a gramática aceita duas formas. Além das expressões partitivas e das porcentagens, entram aqui o sujeito composto posposto e expressões como "mais de um", que pede singular ("Mais de um candidato faltou"), mas admite plural quando repetida ou com ideia de reciprocidade ("Mais de um candidato se cumprimentaram"). Em prova, quando a banca pergunta se uma troca "mantém a correção", esses casos costumam ter resposta positiva: as duas formas são aceitas.
Quando estiver em dúvida entre duas formas, pergunte-se se a gramática admite ambas. Se admitir, a troca mantém a correção; se não, identifique qual regra decide o caso.
Treinar com frases de editais e notícias ajuda a fixar os casos, porque esses textos usam muito o pronome "se" e o verbo haver.
Para identificar o sujeito com segurança, veja o guia de termos da oração.
Tempos, modos, vozes e verbos irregulares estão no guia de verbos.
A concordância dos adjetivos, com casos como "anexo", "meio" e "é proibido", está no guia de concordância nominal.
A diferença entre partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito, que decide a concordância com o se, está no guia de funções do que e do se.
Como o tema cai em prova
As bancas cobram concordância de três formas principais: identificar a frase com concordância correta ou incorreta; avaliar se a troca de um termo, como passar o sujeito para o plural, exige alterar o verbo; e reescritas que mudam a posição do sujeito. Os casos deste guia, especialmente haver, pronome "se" e sujeito posposto, respondem pela maior parte das questões.
Como estudar
Pratique encontrando o sujeito em frases longas antes de olhar o verbo, porque esse hábito resolve boa parte das questões. Depois, memorize os casos especiais com um exemplo para cada e registre no caderno de erros cada caso em que errar. Para organizar o restante da matéria, veja o artigo sobre os tópicos de Português mais cobrados.
Perguntas frequentes
Qual a regra geral da concordância verbal?
O verbo concorda em número e pessoa com o núcleo do sujeito, esteja ele antes ou depois do verbo.
Houve problemas ou houveram problemas?
Houve problemas. No sentido de existir ou acontecer, o verbo haver é impessoal e fica sempre no singular.
Vendem-se casas ou vende-se casas?
Vendem-se casas. Com verbo transitivo direto, o 'se' indica voz passiva, e o verbo concorda com o sujeito, que é 'casas'.
