Atualizado em 25 de setembro de 2026.
As figuras de linguagem são recursos que dão expressividade ao texto, seja pelo uso de palavras em sentido figurado, seja pela organização especial da frase ou pela exploração dos sons. Nas provas, aparecem em questões de interpretação, que pedem o efeito de sentido de um trecho, e em questões diretas de identificação. As bancas costumam cobrar distinções finas, como metáfora e metonímia, antítese e paradoxo, elipse e zeugma, e pleonasmo literário e vicioso.
Este guia organiza as figuras em quatro grupos, com exemplos. As figuras mais comuns também aparecem resumidas no guia de semântica.
Figuras de palavra
São as que envolvem o uso de uma palavra em sentido diferente do habitual.
| Figura | O que é | Exemplo |
|---|---|---|
| Comparação | Aproxima dois elementos com um conectivo comparativo | "A sala ficou silenciosa como um cemitério." |
| Metáfora | Comparação implícita, sem conectivo, por semelhança | "Aquele edital é um labirinto." |
| Metonímia | Troca de um termo por outro com o qual mantém relação de proximidade: autor pela obra, marca pelo produto, parte pelo todo, continente pelo conteúdo | "Li Machado de Assis"; "Bebeu dois copos"; "Faltam braços na lavoura." |
| Catacrese | Metáfora já incorporada ao uso, que supre a falta de uma palavra própria | "Pé da mesa"; "céu da boca"; "embarcar no avião." |
| Sinestesia | Mistura de sensações de sentidos diferentes | "Uma voz doce"; "um silêncio áspero." |
| Antonomásia | Substituição de um nome próprio por uma característica ou título conhecido | "O Poeta dos Escravos", para Castro Alves. |
| Perífrase | Uso de uma expressão para designar um ser ou lugar | "A Cidade Maravilhosa", para o Rio de Janeiro. |
Figuras de pensamento
Trabalham com o sentido global de uma ideia.
- Antítese: aproximação de palavras ou ideias opostas: "Entre o riso e o choro, esperou o resultado."
- Paradoxo ou oxímoro: ideias opostas que se fundem numa afirmação aparentemente impossível, como no verso de Camões em que o amor é fogo que arde sem se ver.
- Ironia: dizer o contrário do que se pensa, em geral com intenção crítica: "Que pontualidade, chegou só duas horas atrasado."
- Hipérbole: exagero intencional: "Já disse isso um milhão de vezes."
- Eufemismo: suavização de uma ideia desagradável: "Ele faltou com a verdade", no lugar de "mentiu".
- Lítotes: afirmação pela negação do contrário, muitas vezes com efeito atenuador: "Ele não é nada bobo."
- Personificação ou prosopopeia: atribuição de características humanas a seres inanimados ou animais: "O vento sussurrava na janela."
- Gradação: sequência de ideias em ordem crescente ou decrescente: "Estudou, revisou, dominou a matéria."
- Apóstrofe: invocação ou chamamento enfático de alguém ou algo: "Ó tempo, dá-me mais uma hora!"
Figuras de construção ou de sintaxe
| Figura | O que é | Exemplo |
|---|---|---|
| Elipse | Omissão de um termo facilmente subentendido | "Na sala, apenas três candidatos." (havia) |
| Zeugma | Omissão de um termo já mencionado antes na frase | "Ana estudou Direito; Pedro, Economia." |
| Pleonasmo | Repetição de uma ideia para reforçá-la | "Vi com meus próprios olhos." |
| Polissíndeto | Repetição de conectivos | "E estudou, e revisou, e treinou, e passou." |
| Assíndeto | Ausência de conectivos entre termos ou orações | "Chegou, sentou, resolveu, saiu." |
| Anáfora | Repetição de palavras no início de frases ou versos | "É preciso estudar. É preciso revisar. É preciso descansar." |
| Hipérbato ou inversão | Alteração da ordem direta da frase | "Das dificuldades da prova falou longamente o professor", em vez de "O professor falou longamente das dificuldades da prova". |
| Anacoluto | Quebra da estrutura sintática: um termo fica solto, sem função | "Eu, parece que a prova foi difícil." |
| Silepse | Concordância feita com a ideia, e não com a palavra | "A multidão gritava; pediam justiça." |
A elipse e o zeugma estão ligados à coesão do texto, como mostra o guia de coesão e coerência, e a silepse, à concordância, tema do guia de concordância nominal.
Figuras de som ou de harmonia
- Aliteração: repetição de sons consonantais: "O rato roeu a roupa do rei de Roma."
- Assonância: repetição de sons vocálicos, muito usada em poesia para criar ritmo e musicalidade.
- Onomatopeia: palavra que imita um som: "O tique-taque do relógio"; "o zum-zum da sala."
- Paronomásia: aproximação de palavras de sons parecidos e sentidos diferentes: "Quem casa quer casa."
Vícios de linguagem a evitar na redação
Os vícios de linguagem são desvios que prejudicam a clareza ou a correção do texto e devem ser evitados na redação:
- Pleonasmo vicioso: repetição desnecessária, como "hemorragia de sangue".
- Cacofonia: som desagradável ou ridículo formado pela junção de palavras, como em "boca dela" e "vou-me já".
- Ambiguidade: duplo sentido não intencional, explicado no guia de semântica.
- Eco: repetição de terminações iguais, como em "a decisão da comissão sobre a eleição".
- Barbarismo: erro de grafia, pronúncia ou forma, como "rúbrica", no lugar de "rubrica".
As distinções mais cobradas nas provas
- Comparação e metáfora: a comparação usa conectivo, como "como" e "tal qual"; a metáfora não usa.
- Antítese e paradoxo: na antítese, os opostos convivem lado a lado; no paradoxo, eles se fundem numa ideia que parece impossível.
- Elipse e zeugma: na elipse, omite-se um termo que não apareceu antes; no zeugma, omite-se um termo já mencionado na frase.
- Eufemismo e lítotes: o eufemismo suaviza com outras palavras; a lítotes atenua negando o contrário.
- Aliteração e assonância: a aliteração repete consoantes; a assonância, vogais.
- Anáfora figura e anáfora coesiva: como figura, é a repetição de palavras no início das frases; como mecanismo de coesão, é a retomada de um termo já citado.
Uma boa forma de estudar é montar uma tabela própria com as figuras deste guia e, ao lado de cada uma, escrever um exemplo criado por você, porque produzir exemplos fixa melhor a diferença entre elas do que apenas ler definições.
Figuras nas questões de interpretação
Nas provas mais recentes, a identificação da figura costuma vir acompanhada da pergunta sobre o efeito de sentido: a hipérbole enfatiza, o eufemismo suaviza, a ironia critica, a antítese contrasta, a gradação intensifica e o polissíndeto transmite ideia de acúmulo ou de movimento contínuo. Ao encontrar uma figura no texto, pergunte o que o autor quis provocar no leitor, porque é isso que as alternativas costumam explorar. O método de leitura está no guia de interpretação de texto.
Exercícios com respostas comentadas
Identifique a figura de linguagem:
- "O Brasil inteiro assistiu à final."
- "Sentiu o cheiro verde da manhã."
- "O servidor, parece que ninguém o avisou da reunião."
- "Ela é uma pessoa de poucas luzes."
- "Chorava de alegria."
Respostas: 1. Metonímia, porque "Brasil" substitui os brasileiros. 2. Sinestesia, que mistura olfato e visão. 3. Anacoluto, porque "o servidor" fica sem função sintática. 4. Eufemismo, que suaviza a ideia de pouca inteligência. 5. Paradoxo, porque une choro e alegria na mesma ideia.
Revisão rápida das figuras
Antes da prova, confira: metáfora é semelhança, e metonímia, proximidade; catacrese é metáfora cristalizada; sinestesia mistura sentidos; antítese contrasta, e paradoxo funde opostos; zeugma omite termo já dito; anacoluto quebra a sintaxe; aliteração repete consoantes, e assonância, vogais; e pleonasmo pode ser figura ou vício, conforme a intenção expressiva de quem escreve.
Como o tema cai em prova
As pegadinhas mais comuns trocam metáfora e metonímia, antítese e paradoxo, elipse e zeugma, aliteração e assonância, ou tratam todo pleonasmo como erro. Treine com trechos de textos literários e publicitários citados nas provas e registre as confusões no caderno de erros.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre metáfora e metonímia?
A metáfora se baseia numa relação de semelhança, uma comparação implícita, como em 'aquele edital é um labirinto'. A metonímia se baseia numa relação de proximidade ou contiguidade, como autor pela obra, em 'li Machado de Assis', ou parte pelo todo.
O que é catacrese?
É uma metáfora já incorporada ao uso comum, que preenche a falta de uma palavra própria, como 'pé da mesa', 'braço da cadeira' e 'céu da boca'.
O que é anacoluto?
É a quebra da estrutura sintática da frase: um termo fica solto, sem função, porque a frase muda de rumo, como em 'Eu, parece que a prova foi difícil'.

